Gostar é querer ver a outra pessoa bem. É, por vezes, abdicar para ter a certeza de que essa pessoa vai ser feliz.
A nossa história, desde o início, estava condenada pelo tempo, por ti e por tantas outras coisas. Eu sabia, tu sabias. A minha inteligênica, felizmente, foi não me deixar prender muito a ti. Nesse aspecto, prendeste-te a mim muito mais que eu a ti. Sabíamos que ia ter um fim e a única coisa que ia ficar era a lembrança e a revolta de nos termos cruzado no momento errado. E tarde demais.
Quando nos conhecemos disseste-me "Onde é que tu estiveste?". Não te respondi. Sabia que por muito que nos tivessemos cruzado antes, de nada valeria. Eu não seria a mesma pessoa, a que hoje vês e dizes que adoras. E tu não ias ser a mesma pessoa. Ias estar a milhas da pessoa que hoje és.
Voltaste a dizer-me um "cruzamo-nos na hora errada". Talvez não. Ao menos deu para conhecer uma pessoa que, à partida, pensei não existir. Mas que apreciei em cada momento que esteve ao meu lado.
Sabíamos que a única maneira de o "adeus" não magoar tanto era não deixando crescer muito o que havia. Não deixei. Tenho a perfeita noção que se não tivesse tido cabeça hoje estaria totalmente apaixonada por ti (tinha sido tão fácil apaixonar-me!) e isto estaria a ser 500 vezes pior.
As coisas não valem pelo tempo, mas pela intensidade com que acontecem... E como tu disseste, o muito que vai ficar de nós os dois é os "ses..."
Se nos tivessemos cruzado noutra altura...
Se a vida não estivesse assim...
Se eu não...
Se tu não...
Se ambos....
Deixemos então que aqueça os corações a lembrança de algo especial que aconteceu porque tinha e acontecer... E os ses vão-nos aquecer a alma.
Quando um dia olhares para trás... lembra-te do "merdinha para ti". Tenho a certeza que isso vai te fazer sorrir.